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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Uso irregular de agrotóxicos aparece em 1 em cada 4 amostras de alimentos


Uma análise feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encontrou casos de uso irregular de agrotóxico ou resíduos desse tipo de produto acima do limite permitido em 23% das amostras verificadas de diferentes tipos de alimentos.

Ao todo, foram analisadas 4.616 amostras de alimentos entre agosto de 2017 e junho de 2018. Entre os produtos, estavam cereais, como arroz; frutas, como uva, goiaba e laranja; hortaliças, como alface; além de outros, como alho e batata-doce.

Do total das amostras pesquisadas, 17% tinham uso de agrotóxicos não permitidos para a cultura, 2,3% tinham resíduos acima do limite permitido e 0,5% agrotóxicos não permitidos para uso no Brasil. Em 2,9%, havia mais de um desses problemas.

Embora afirma que a situação configura irregularidade, a agência nega que haja risco e necessidade de alerta ao consumidor, mas diz que irá reforçar o monitoramento e ações alternativas.

"O uso de agrotóxicos não permitidos para a cultura normalmente é algo que ocorre com pequenas culturas. O pequeno agricultor muitas vezes não tem opções para uso. É uma irregularidade, mas também uma discussão que ocorre no mundo", diz Bruno Rios, diretor-adjunto da 3ª diretoria.

Segundo a agência, resultados da mesma análise apontaram presença de resíduos de agrotóxicos em situação que pode configurar risco agudo (o que aponta potencial intoxicação e efeitos em até 24h) à saúde em 0,89% das amostras analisadas, ou 41 entre as 4.616.

Laranja e a goiaba foram as frutas de maior risco agudo devido à presença de resíduos de agrotóxicos acima do permitido. No primeiro caso, a situação foi verificada em 27 das 382 amostras -ou 7% do total. No segundo, em oito das 283 analisadas (2,83%).

A Anvisa afirma, no entanto, já ter adotado medidas para evitar riscos. De acordo com a agência, 91% destes casos eram ligados ao agrotóxico carbofurano, que foi retirado do mercado em 2018, após reavaliação dos riscos à saúde.

O órgão diz que irá avaliar agora se os limites de resíduos estabelecidos para outros três agrotóxicos encontrados precisam ser reavaliados.

Ainda de acordo com a agência, além das 23% que tinham "inconformidades", outras 49% não apresentaram resíduos e 28% estavam no limite.

MONITORAMENTO

Os resultados fazem parte da nova edição do Para (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos), mecanismo criado em 2011 para controle de resíduos desses produtos nos alimentos.

Em 2016, o programa foi suspenso em meio a críticas de especialistas do setor, para quem mudanças feitas nos anos anteriores deixaram de incluir uma avaliação completa dos riscos à saúde.

A agência diz ter reformulado o programa para incluir, a partir de então, uma análise também do risco crônico (que indicaria possíveis problemas pelo consumo e exposição a longo prazo) vinculado a esses resíduos nos alimentos. 

Para esta primeira edição, foram analisados resultados de 16.667 amostras coletadas entre 2013 e 2018 de 28 tipos de alimentos, o equivalente a 73% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população.

De acordo com a Anvisa, os resultados estavam dentro do limite de ingestão diária aceitável definido para cada agrotóxico e adequados aos padrões de consumo da população e, por esse motivo, não representaram riscos.

Técnicos, porém, dizem que pretendem ampliar as análises para mais produtos em novas edições. 

A gerente de monitoramento e avaliação do risco, Adriana Pontier, diz que a avaliação atual sobre os dados é positiva. "Vemos um decréscimo do risco agudo e resultados que mostram ausência de risco crônico", afirma.

Segundo ela, a agência também deve ampliar as ações de educação com os produtores para evitar que haja resíduos acima do permitido. "Sabemos que é preciso intensificar isso para ampliar o uso correto do agrotóxico."

Neste ano, o país tem registrado um aumento no registro de agrotóxicos, medida que tem ganhado impulso na gestão de Jair Bolsonaro (PSL). O aval é dado pelo Mapa (Ministério da Agricultura), com avaliações também da Anvisa e Ibama. O ministério tem atribuído o aumento a medidas adotadas pelos órgãos para reduzir filas de análise.

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