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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

'Inocência' de um Lula preso é condição para manter imagem de mártir

A “inocência” de Luiz Inácio Lula da Silva é, na verdade, uma construção político-eleitoral do ex-presidente. Tanto que, mesmo tendo direito a progressão de regime, o petista opta por permanecer no cárcere. É certo que o processo em que ele foi condenado foi eivado de características incomuns e, possivelmente, o julgamento não foi tão imparcial como deveria – as mensagens da Vaza Jato sugerem esse caminho, inclusive. Porém a alegada inocência é parte da narrativa necessária para manter a condição de mártir e preso político, extremamente cara aos aliados e ao discurso adotado desde o impeachment de Dilma Rousseff. Por isso é tão importante endossar e reiterar essa estratégia.

Lula não é um preso comum. E a condenação dele é questionada pela forma célere e pouco comum com que foi consumada pelo ex-juiz Sérgio Moro e por instâncias superiores. As mensagens trocadas entre a força-tarefa da Operação Lava Jato e Moro corroboram a tese sustentada pelo petismo e que reverbera, especialmente, entre os partidos que compõem a oposição ao presidente Jair Bolsonaro – considerado beneficiário do impedimento da presença de Lula nas urnas em 2018.

Ao citar “barganhas” para tentar rebater a tentativa do Ministério Público Federal (MPF) de fazer concessões, a exemplo do pedido de progressão de regime, o ex-presidente consegue inverter um pouco a lógica de réu condenado. Lula estaria, então, injustamente preso e só acatará deixar a prisão quando a sentença for revertida e ele acabar considerado inocente. Porém o caminho é árduo para chegar a esse nível de abstração, se considerarmos toda a imagem construída ao longo dos últimos meses pelo antipetismo. Aí reside a necessidade de uma narrativa precisa e mantida a duras penas. Chega a ser imprescindível.

Caso o ex-presidente acate a recomendação de progressão de regime sem protestar ou até mesmo se a defesa dele solicitar que o restante da pena seja cumprido fora das celas, no imagético popular é como se Lula fosse culpado e o discurso da inocência perderia a força que tem tomado no passado recente. Entre a possibilidade de ser considerado preso político e admitir uma parcela de culpa pelos mal feitos atribuídos a ele, é bem óbvio que o petista opte pela primeira opção.

É relevante ressaltar que a mudança de postura do MPF também contribui para a tese dos companheiros do ex-presidente. Acuada com recentes decisões que colocaram em xeque parte das sentenças, a força-tarefa tenta fazer concessões para minimizar os efeitos negativos junto à opinião pública caso confirmado o erro que teria provocado uma injusta condenação. Tudo não passa de uma batalha discursiva e, nesse caso, Lula é um mestre com vasta experiência, principalmente no comparativo com neófitos da Lava Jato.

Se antes Lula era citado como mártir político, nos últimos dias ele tem se tornado um candidato mais forte ao estigma. E, dessa vez, não chegou a fazer muito esforço. Apenas entrou em um campo que ele entende muito bem: a política.

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