Itaju do Colônia

Itaju do Colônia
Rádio jornal de Itabuna

Itabuna

Itabuna
Rádio Nacional de Itabuna

Floresta Azul

Floresta Azul
Vereadora Daniela Larangeiras

Floresta Azul

Floresta Azul
Vereadora Daniela Laranjeira

terça-feira, 1 de outubro de 2019

'Briga' entre Wagner e Rui é mais faísca do que fogo amigo

Não foi a primeira vez e nem será a última que circulam rumores de que o governador Rui Costa e o padrinho político dele, senador Jaques Wagner, estariam com relações estremecidas. Nesta segunda-feira (30), inclusive, foi necessário apagar traços de incêndio com a defesa de que ambos são “unha e carne”. O efeito dessa declaração é dúbio e pode ser interpretado de forma diferente da intenção. Se há a demanda por negar qualquer tensão no relacionamento entre Rui e Wagner, é sinal de que nem tudo são flores entre criador e criatura. O que não quer dizer que exista chance de os petistas estarem em caminhos distintos no futuro.

A situação é bem típica do PT. O partido é uma salada de opiniões divergentes, que se entendem quando é necessário aparecer publicamente. Principalmente quando se trata de grupos políticos tão próximos na estrutura interna da legenda. No entanto, a entrevista de Rui Costa, quando o governador falou que era necessário não colocar “Lula livre” como pauta prioritária nas conversas com outras siglas, ainda segue rendendo discussões dentro e fora do PT. Talvez aí tenham nascido rumores de desgaste do atual chefe do Executivo baiano.

Ainda assim, Wagner não endossou qualquer crítica pública ao afilhado político. Chegou até a rebater a postura do PT nacional, que emitiu uma nota de “reprimenda” às declarações de Rui. O Galego sabe que é preciso contornar a eventual tensão criada em torno da entrevista do governador e, com o pragmatismo que lhe é típico, é certo que atua como uma espécie de bombeiro, para evitar que Rui seja “fritado” pelos cardeais nacionais do partido.

O ex-governador talvez seja uma das figuras mais aglutinadoras da cena política nacional e estadual. Vide a construção das alianças na Bahia, enquanto morou no Palácio de Ondina, e mesmo depois de deixar o posto. Quando Dilma Rousseff ainda estava no Planalto, foi Wagner que tentou dar uma sobrevida a um governo trôpego. Entretanto, chegou tarde à articulação política e não evitou a derrocada de Dilma. Depois disso, retornou à Bahia e seguiu auxiliando o pupilo no processo de construção política para a reeleição dele.

Já Rui é considerado menos palatável politicamente do que Wagner – ainda que tenha mostrado evoluções contínuas desde a chegada ao poder. Se o senador já seria considerado pragmático nas relações, o governador ampliou essa lógica ao, em algumas situações, subjugar aliados para submetê-los ao perfil eminentemente administrativo. Até agora, tem dado certo e não existe uma perspectiva de mudança de médio e longo prazo, mesmo que, para isso, custe um voo mais alto em direção a Brasília.

Com todo esse contexto, é possível entender que sobram razões para adversários promoverem essa possibilidade de discórdia. Assim como também o tradicional “fogo amigo”, historicamente comum em processos eleitorais. Sabemos, contudo, que dificilmente Rui e Wagner estarão em lados opostos em 2020 e 2022. Criador e criatura podem não concordar em tudo. Mas estão longe de se tornarem adversários.
Por: Wender Lima.
Tribuna de Palmira.

0 comentários:

Postar um comentário