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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Bruno Reis visita Câmara com um olho em Rui e outro em 2020

Uma semana depois da passagem do governador Rui Costa pela Câmara de Salvador para apresentar o projeto do VLT aos vereadores, a bola da vez no Legislativo soteropolitano foi a ida do vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Bruno Reis, para relatar detalhes do BRT. Natural? Claro. Porém não deixa de ser uma decisão política a visita de Reis à Câmara pouco após Rui passar por lá. Era preciso contrabalancear o espaço ocupado pelo governador há uma semana e ACM Neto convocou seu principal jogador para fazê-lo.
 A estratégia de alçar Bruno Reis à condição de “pai” do BRT é a mesma de eleições passadas, usada até mesmo pelo ex-governador Jaques Wagner quando começou a construir o nome de Rui para sucedê-lo. Ao transferir os holofotes das principais obras da capital baiana para o vice – e até então principal candidato do grupo político ao Palácio Thomé de Souza -, ACM Neto quer “colar” a imagem de que Bruno merece se tornar prefeito. Independentemente de ter tido ou não uma musculatura política por trás. Caso consiga construir na mente do eleitor essa projeção, o prefeito terá conseguido cumprir uma das etapas da apresentação do seu candidato.
 É tão explícito que Bruno Reis caminha para ser o único postulante a prefeito do grupo de ACM Neto que não há pudor em explorá-lo nas mais diversas frentes. Principalmente quando a tendência é mídia positiva, como entrega de obras, assinatura de ordens de serviços ou até mesmo a apresentação de um projeto como o BRT para vereadores. Ninguém se engane que o objetivo é meramente prestar contas à população. Tudo passa pelo plano de eleger o sucessor em 2020 e qualquer passo dado nesse sentido é mais um degrau para atingir o “pódio”.
 O episódio de ontem, na Câmara, apenas torna mais forte a ideia de que o vice deve fazer contraponto ao governador. A disputa em jogo também perpassa pelo embate entre o petista e ACM Neto. Rui e aliados tentam encontrar um caminho para enfrentar um prefeito bem avaliado cujas chances de fazer até um poste chegar ao Palácio Thomé de Souza são reais. Não que Bruno Reis se enquadre nessa característica propriamente, porém é importante citarmos essa pecha, já que o próprio Rui iniciou os primeiros passos na disputa de 2014 como um ilustre desconhecido patrocinado por Wagner. Ou até mesmo as eleições de Dilma Rousseff, em 2010, e Fernando Haddad, em São Paulo em 2012, “garantidas” por Luiz Inácio Lula da Silva. O termo, carregado de preconceito, deve ser usado no próximo pleito e não deve ser encarado como uma surpresa quando aparecer.
 Agora é inegável que essa disputa pré-eleitoral tem resultados práticos para a sociedade. Tanto o VLT quanto o BRT são agora de conhecimento dos vereadores, representantes dos mais variados segmentos soteropolitanos. Sabe-se que, enquanto aliados do prefeito tendem a aplaudir o BRT e criticar o VLT, a oposição deve fazer o mesmo, porém com sinais trocados. Até lá, os dois lados vão seguir a mesma lógica: um olho no peixe, outro no gato.

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