PALMIRA

PALMIRA
POINTER DO AÇAI

Itaju do Colônia

Itaju do Colônia
Rádio jornal de Itabuna

Itabuna

Itabuna
Rádio Nacional de Itabuna

Floresta Azul

Floresta Azul
Vereadora Daniela Larangeiras

Floresta Azul

Floresta Azul
Vereadora Daniela Laranjeira

terça-feira, 14 de maio de 2019

Altar para 'herói' Sérgio Moro começa a ruir com a ajuda de Bolsonaro

O altar erguido em homenagem ao ex-juiz Sérgio Moro por sua atuação à frente da Operação Lava Jato, em Curitiba (PR), começou a desmoronar há cerca de seis meses, quando ele aceitou ser ministro da Justiça e Segurança Pública. No entanto, ao longo dos últimos dias, parece que até mesmo o presidente Jair Bolsonaro decidiu ajudar a destruir qualquer imagem idílica do herói defensor dos fracos e oprimidos. Ao confirmar um acordo de bastidores para que o ex-magistrado chegue ao Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro garantiu que a mosca azul do poder picou Moro e o contaminou com uma ambição maior do que o próprio personagem criado e alimentado pela mídia.

Moro nunca foi um santo. Durante o tempo em que esteve à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba, o ex-juiz cometeu erros graves, como a divulgação de um grampo telefônico da conversa entre a então presidente Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Foi alvo de reprimendas discretas, porém tudo o que fez, sob o pretexto de interesse público, só assegurou fama e o simbolismo de defesa do país contra a corrupção. No entanto, as ações do então magistrado foram decisivas para sugerir os caminhos políticos que vieram a seguir.Lula foi conduzido coercitivamente às vésperas da instalação da comissão que viria avalizar o impeachment de Dilma. A divulgação do diálogo dos dois presidentes aconteceu também à mesma época. O resultado, como sabemos, foi o fim do resquício de estabilidade política de Dilma e a consequente ascensão de Michel Temer ao poder. Até ali, Moro poderia passar despercebido de segundas intenções. No máximo, poderíamos considerá-lo um paladino da moralidade contra o “mal” chamado PT.

Só que Moro não ficou restrito a isso. Com muita pirotecnia, confrontou Lula e aumentou a distância entre o “bem”, representado por ele, e o “mal”, personificado pelo petista. O ex-presidente foi condenado pelo então juiz e ali o rascunho para defenestrar qualquer tentativa de retorno de Lula ao poder ficou mais explícita. Confirmada a pena do ex-presidente pelo Tribunal Regional Federal – e mais recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça -, o petista deixou de ser um protagonista do processo eleitoral de 2018 e atuou como coadjuvante. Assim, a vida de Bolsonaro acabou menos difícil.

A construção da narrativa após a eleição de outubro desanuviou um pouco os interesses do âmago do ex-juiz. Moro aceitou se tornar ministro, com a promessa de que poderia ascender ao STF quando uma vaga houvesse. Tudo implícito, mas comentado à “boca pequena” por qualquer um que conheça o funcionamento interno do poder. Agora, Bolsonaro antecipou oficialmente que vai cumprir o combinado de permitir que o ministro deixe a Esplanada em direção à Suprema Corte. Moro negou um acordo. Só não convenceu.

Mesmo que rechace rótulos ou promessas, Sérgio Moro deixou-se levar pelo personagem que criou para si. Mas é apenas uma parte daquilo que construiu, já que os fins não deveriam justificar os meios. Assim, o ex-juiz se tornou muito menor o que poderia ser. O altar, finalmente, começou a ruir.

0 comentários:

Postar um comentário